Conto de Ana

Era mais um dia comum na vida dos aldeões do Vale King. Para Ana mais um dia havia raiado e mais uma esperança de conquista, que vinha sendo decepada dia a dia pela tirania do idolatrado rei Tompson, surgia.
O Vale King era um local de muitos mistérios. Muitos moradores alegavam escutar e ver coisas fora do mundo real, algo sobrenatural. O rei se vangloriava, pois devido às histórias místicas da pequena aldeia não havia ataques inimigos e os aldeões viviam condicionados ao rei que se considerava um deus.
Ana levantou-se e descobriu uma oportunidade para mudar de vida. Estava aberta oficialmente a seleção para concubinas do rei- que por sua vez era casado com a rainha Mary de Avalor, mas nunca ninguém virá a rainha. A princípio Ana negou-se a tamanha ousadia de pensar em ter algum valor segundo os olhos do pequeno vilarejo.  Porém seus pais contraíram uma divida imensa e logo perderiam suas cabeças. Sem mais delongas chegou toda acanhada ao castelo com suas roupas surradas e sapatos furados. Apesar dos trapos e maus tratos devido às condições financeiras que a envolvia, era uma das mais belas moças do pequeno vilarejo. Desde muito jovem buscou inúmeras oportunidades para trabalho, porém devido a sua condição social e sexo era negado. Sem saída e tratada com zombarias dos eunucos do rei, foi uma das selecionadas para a próxima etapa. Lá conheceu Math, que a ajudou para apresentação ao rei Tompson. Math encantou-se com tamanha bondade e beleza que refletia Ana, porém temeroso devido o que estava ocorrendo com as demais concubinas. Após ter sido adornada e instruída, Ana apresentou-se na sala principal  junto às demais candidatas. Era perceptível o sorriso malicioso e jocoso do rei para Ana. As regras eram: 1) O rei passaria uma noite com cada uma das candidatas; 2) A que não fosse a escolhida para ser concubina sairia do palácio imediatamente sem nenhuma das coisas que utilizou durante a noite para atraí-lo, sairia somente com a roupa que se apresentou no momento da seleção.
Passando-se uma semana, Ana estava aflita e sempre conversava com Math que a orientava em como se portar perante o rei e afins. Sem esperanças de ser ela a eleita, toda manhã durante os sete dias, acordava e tentava visualizar da janela a face do rei. Ouvindo as glorias, fortunas e tirania do rei, Ana apaixonou-se sem toca-lo por um instante. De alma pura acreditava que seus defeitos eram para mostrar seu poder e glória, mas que detrás havia um homem bondoso e atencioso. Mal sabia ela que essa noite seria sua vez. Logo foi preparada e conduzida ao quarto real. Chegando ao aposento real, Ana se depara com uma estatua e tem a leve impressão de que ela estava encarando-a.
O rei nada gentil tomou-a em seus braços, vendando-a para que não o visse, e assim passaram a noite. Ao amanhecer avisou aos guardas que era para expulsar todas as demais mulheres, pois ele havia achado sua eleita. Nessa hora Ana pediu a morte mentalmente. Toda a construção boa que havia feito do seu, a priori, amado se desfez feito fumaça. Naquela noite e em poucos minutos pode sentir a tirania daquele rei.
Ana então resolveu explorar o castelo até que escutou vozes sombrias pelas paredes. Essas vozes diziam “saia” em um tom ameaçador. Pensando serem alucinações devido a terrível noite que teve, continuou seu caminho até ser abordada por Math para chegar a seus aposentos. Um quarto cinza, extremamente grande e com relíquias Ana temeu dormir naquele lugar, porém Math a assegurou de que havia guardas na porta para guarda-la.
Ao cair da noite sobreveio uma forte chuva na região. Ana escutou barulhos, como se fossem garras arranhando o assoalho. Ouviu também vozes clamando libertação. Resolveu cobrir-se até pegar no sono. Quando acordou sentiu algo pingando em seu rosto ao passar uma das mãos viu um liquido vermelho e quando ergueu os olhos havia uma corsa, presa na armação superior da cama , com uma corda no pescoço e toda cortada. Ana gritou como se o mundo fosse acabar, mas ninguém veio ao seu encontro. Misteriosamente uma porta secreta se abriu atrás de uma grande cômoda. Ela escutou a voz do rei chamando-a, mesmo com medo resolveu seguir. Era um local escuro e úmido, em cada passo que dava esfriava mais.
- Vossa Alteza?- disse Ana sussurrando
-Venha! Venha! – com uma voz suave e branda, disse ele.
-Não consigo enxergá-lo, alteza! – disse Ana com medo
-Não tenha medo.  Logo você me verá! Agora cale-se!
Assim ela seguiu aquele estreito e escuro caminho que não parecia ter fim. Sentindo calafrios e mãos tocando-a, Ana por várias vezes pensou em gritar, mas temeu por sua vida e lembrou-se de seus pais que precisavam da sua ajuda. O suposto rei assegurou-a que estavam chegando ao destino e logo ela o veria. Quando de repente ao pisar em um quadrado, Ana viu uma tocha acender e diante dela algo inacreditável e inimaginável surgiu. Então, ouviu-se em todo vilarejo o grito de Ana e assim nunca souberam o que se sucedeu e o que ela viu aquela manhã pós-tempestade.

Por: Isabelle

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